Por anos, muitos CMOs relegaram as Relações Públicas a uma atividade de marketing de segunda categoria, frequentemente vista apenas como um suporte para “emplacar matérias”. No entanto, o cenário mudou drasticamente.
Desde que a IA generativa se tornou pública e o volume de conteúdos sintéticos explodiu, ficou cada vez mais difícil confiar no que se lê online. Nesse mar de informações automatizadas, a reputação deixou de ser um conceito subjetivo para se tornar o ativo mais importante de uma organização. De fato, estudos mostram que mais de 40% do valor de mercado das empresas está hoje diretamente ligado à sua reputação.
Se você ainda gere a comunicação com a mentalidade de 2010, está cometendo estes 5 erros críticos:
Erro #1: A Armadilha da Atribuição Direta
O maior erro de um CMO é buscar uma linha direta de atribuição entre as atividades de RP e as vendas diretas da empresa no CRM. Por definição, o conjunto de atividades de RP influencia o topo do funil e a percepção de marca. Sua atribuição será sempre indireta. Tentar medir o impacto reputacional com métricas de “last click” é usar a régua errada para medir um ativo que funciona como o lubrificante de negócios complexos.
Erro #2: Terceirizar a “Alma” da Reputação
Muitos executivos cometem o erro de “terceirizar” a gestão da reputação da empresa e de seus porta-vozes inteiramente para uma agência. Embora a agência seja um consultor estratégico fundamental, as atividades de RP que moldam a identidade da marca são responsabilidade do CMO e seu time. A reputação é um ativo estratégico interno que não pode ser delegado por completo.
Erro #3: Subestimar o Potencial Estratégico do Profissional de RP
Muitos CMOs não confiam nos profissionais de RP para liderar estratégias de conteúdo de alta performance. É um equívoco. Embora as técnicas de SEO sejam importantes, o profissional de RP tem a formação para ser um excelente “farejador” de histórias. As atividades de RP envolvem a capacidade de digerir temas complexos e transformá-los em narrativas poderosas que conectam com as massas. O RP deveria ser o centro da sua estratégia de conteúdo.
Erro #4: Confundir RP com Assessoria de Imprensa
RP não é sinônimo de mandar releases. Na minha concepção, RP é a Gestão da Influência sobre Comunidades Estratégicas. É um trabalho muito mais profundo e conectado aos negócios do que a maioria dos gestores imagina. As atividades de RP abrangem diversos stakeholders e são essenciais para sustentar a operação em mercados competitivos.
Erro #5: O Mito do Investimento “Custo Zero”
Achar que RP é “grátis” por trabalhar com mídia orgânica é um erro tático grave. Não existe nada de graça; o sucesso das atividades de RP demanda investimento em talento, inteligência e tempo. No entanto, quando bem executadas, elas representam o investimento de maior ROI que um CMO jamais verá, justamente por construir a confiança necessária para que todas as outras ações de marketing funcionem.
Além da Assessoria: Por que a Imprensa representa apenas 15% das Atividades de RP
Para os CMOs que ainda vivem em 2010 e acreditam que RP é sinônimo de assessoria de imprensa, eu trago um choque de realidade: o relacionamento com a mídia representa apenas 15% de tudo o que as atividades de RP entregam em uma estratégia de alta performance.
Para ajudar os líderes de marketing a saírem dessa visão limitada e planejarem um 2026 verdadeiramente estratégico, eu mapeei a Mandala de Influência. São 12 grupos de atividades de RP, diretamente conectadas à construção de reputação e ao apoio crítico às vendas.
Ao todo, são 65 atividades técnicas que cercam o decisor de compra e criam a autoridade necessária para converter:
- Construção de Autoridade: Artigos assinados, whitepapers e pesquisas proprietárias que posicionam a marca como líder de pensamento.
- Apoio às Vendas: Customer advocacy e criação de conteúdo estratégico para o social selling do time comercial.
- Eventos: Webinars técnicos e reuniões exclusivas para o C-Level.
- Influenciadores & Analistas: Programas de Analyst Relations e parcerias com associações setoriais.
- Conteúdo para Pipeline: Podcasts de tendência e benchmarks que nutrem o prospect.
- Gestão de Reputação: Monitoramento de percepção com prospects e gestão de reviews em plataformas especializadas.
- Comunicação Digital: Newsletter estratégica e LinkedIn Company Page otimizada.
- Relações com a Mídia (O Epicentro): Newsjacking e artigos de opinião em veículos de prestígio.
- Comunicação Interna: Wins importantes e fatos-chave para o time.
- Gestão de Crise: Q&A para objeções e planos de recuperação de confiança.
- Mensuração: Influência em deals e Share of Voice em temas estratégicos.
- Programas Estratégicos: Customer Advisory Boards e Think Tanks.
O Cerco Estratégico e a Nova Parceria CMO-Agência
O impacto real não vem de uma ação isolada ou de um “clique milagroso”, mas do cerco estratégico. Em 2026, com a saturação de conteúdos gerados por IA, o seu potencial cliente ignorará o ruído dos anúncios; ele escolherá a autoridade que você construiu através da capilaridade das atividades de RP.
Para que isso funcione, a relação com as suas agências parceiras precisa de um upgrade. Pare de cobrar “centímetros de jornal” e comece a cobrar o apoio estratégico na jornada de confiança do cliente. A agência deve ser o seu braço de inteligência, mas a alma da reputação e o entendimento da atribuição indireta devem nascer dentro da sua cadeira de liderança.
Se o seu planejamento para o próximo ano foca apenas em mídia, você está ignorando 85% do potencial de geração de receita. O sucesso não é sobre quem grita mais alto, mas sobre quem é citado como fonte de verdade.
Guia Definitivo para Gestão de RP
Mudar a cultura de comunicação da sua empresa exige método. Para ajudar CMOs e profissionais de comunicação a liderarem esta transição, reuni todo o meu framework estratégico num material único.
No Guia Definitivo para RPs, você terá acesso a:
- A Mandala Completa: O detalhamento das 65 atividades técnicas que cercam o decisor.
- O Arsenal Tecnológico: As 31 ferramentas de produtividade para escalar a sua operação.
- Dicionário de Valor: 95 métricas estratégicas para provar o impacto onde realmente importa.



